Mais de um mês após o desabamento, acampamento é visto como forma de resistência por moradia

Crédito: Tchérena Monteiro e Natalia de Souza

Passado mais de um mês do incêndio e desabamento do Edifício Wilton Paes de Almeida, ainda não há perspectiva de solução para os acampados no Largo do Paissandu. As 126 famílias, segundo dados da própria Prefeitura, que agora são sem-teto, permanecem na praça.

As famílias, muitas com crianças passam o dia na praça em barracas doadas, em meio ao lixo e vendo gelado. A Promotoria de Justiça da Infância e da Juventude da Capital, no último dia 24, quis saber da Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social as ações tomadas pela pasta para atender as famílias com filhos até 18 anos. E exigiu relatórios individualizados dos atendimentos e possíveis recusas a irem com os filhos para Centros Temporários de Atendimento (CTAs).

Adriana Santos, de 35 anos, possui seis filhos no local mas acredita na resistência. “Vamos ficar até ganhar moradia. Para as crianças tudo é diversão. Nós estamos preocupados só com roupas de agasalho para as crianças. E tem bebê recém nascido, e nós estamos precisando também para os bebês”, alerta a acampada. Mas não cogita a possibilidade de ficar longe dos filhos. “Se tirassem nossos filhos ia ser uma guerra maior, aí desistiram. Se fosse para deixar meus filhos no abrigo, teria deixado no hospital, falava que não queria né”, confessa Adriana.

A Prefeitura diz já ter atendido maioria das vítimas do incêndio. Mas admite que existe um impasse, há famílias que recebem o auxílio e continuam na praça. Adriana não diz ser o caso dela. “Se nós estivéssemos ganhando nós não estaríamos aqui sofrendo com nossos filhos. Nós estamos esperando uma resposta”, desabafa Adriana.

A garagista de motos Clégia, de 54 anos é garagista de motos em frente a praça há seis anos e diz que se tratou de uma tragédia anunciada. “Eu já sabia que ia cair. Sempre que eu olhava pra lá ele estava inclinado, você pode ver que ele caiu em cima da igreja. Ele ia cair de qualquer jeito, o fogo foi uma desculpa”, conta. Ela acredita ainda que o prédio da frente também vai cair. “E outra, aquele ali também vai cair se eles não arrumarem. Aquele também vai. É que ele tá cortado, já cortou em dois lugares”, se referindo ao Edifício Joamar na Rua Antônio de Godói, 20. É um prédio abandonado exatamente em frente ao terreno do desabamento.

Desde o desabamento, a prefeitura junto com a Defesa Civil está fazendo vistoria nos prédios ocupados na cidade, o que não parece ser o caso do Edifício Joamar. O secretário de Habitação, Fernando Chucre, estima que até o final do mês todas as ocupações da região central passarão pela vistoria.

Na sexta (1), foi instalado oito banheiros químicos para os acampados. O prazo da Justiça tinha dado acabado dia 25, mas a prefeitura alegou que greve dos caminhoneiros da última semana atrasou a instalação no prazo.

 

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