Retratos da consciência negra

No dia 20 de novembro, é celebrado o Dia Nacional da Consciência Negra. Uma data que traz muita reflexão sobre a história de lutas dos negros no Brasil e os desafios a serem enfrentados para a construção de uma sociedade mais justa.
Para relembrar o tema, o fotógrafo e especialista em tratamento de imagens, José Antônio Rodrigues, o Zan, 53 anos, reuniu uma série de pessoas negras (crianças, jovens e adultos) para uma sessão de imagens, nas quais eles foram convidados a se vestirem de maneira natural, da forma que se sentissem mais à vontade.
O propósito é chamar atenção para a necessidade de afirmação dos negros. Para Zan, embora eles venham obtendo mais espaços de destaque na sociedade, ainda há muito a melhorar. “O preconceito ainda está presente e os negros ainda carecem de mais oportunidades para demonstrar o seu valor”, acredita.
O fotógrafo, porém, percebe avanços importantes que têm permitido aos negros assumir posições de protagonismo, pelo fato de a sociedade estar mais aberta à diversidade. Usa como exemplo o ator Lázaro Ramos, autor do livro “Na Minha Pele”, que, aliás, serviu de inspiração para este projeto fotográfico. “Ele sofreu preconceito e lutou muito para chegar onde está”, afirma Zan.

O que os fotografados pensam sobre o tema
“O dia 20 de novembro é importante, pois relembramos a opressão sofrida pelos negros por mais de 300 anos nesse país e até hoje sofremos em todos os sentidos. Racismo e discriminação racial excluem e provocam dor e morte.
Somos todos iguais? Não. No dia em que vermos negros formados nas faculdades na mesma proporção que brancos, quando tivermos maioria negra assumindo posições de poder, quando o negro não for mais destaque do genocídio, quando a pobreza, a fome, a falta de educação não forem mais pautas da população negra periférica, quando punirmos os covardes que cometem racismo, quando valorizarmos as culturas africanas. Aí, sim, falaremos da consciência humana.”
Tamires Costa dos Santos, agente de processos e negócios
“Esta data relembra o dia da morte do líder do Quilombo dos Palmares, Zumbi, um símbolo de resistência negra. A celebração é importante para refletirmos sobre a posição dos negros na sociedade. O que precisamos não é de um dia de consciência negra e sim de 365 dias de consciência humana. Só tenho 13 anos e não devia passar por discriminações por causa da minha cor.”
Bárbara Victória Costa dos Santos, estudante
“A data é boa para as pessoas verem e aceitarem a nossa presença e observarem que somos muito importantes para a humanidade.”
Rhuan Paulo Carneiro Costa, estudante
“Para nós, negros, a data simboliza uma grande conquista. Mas ainda temos muito pelo que brigarmos.”
Vanessa Carneiro Pinheiro Costa, funcionária pública
“Podemos ser negros ou brancos, de religião e crenças diferentes. Todos merecem respeito e oportunidades, Todo mundo tem sua beleza e importância nesse mundo. Somos todos iguais por dentro e filhos de Deus.”
Valéria Antônio, administradora de um parque público
“O pior preconceito não é dos brancos e sim dos negros que não se assumem como tal e não respeitam seus irmãos.”
Luciane Aparecida Ferreira, designer de acessórios
“Enquanto ainda existir o racismo, o mundo não ficará em paz.”
Adriana Gomes de Morais, auxiliar de limpeza
“Sem dúvida ainda temos muito a conquistar. Não para provar a outros que conseguimos e sim para provarmos para nós mesmos que podemos chegar onde quisermos com a nossa garra de sempre. Neste Dia da Consciência Negra, é essencial para a sociedade se conscientizar sobre o que nossos antepassados sofreram e que, independentemente de tudo, merecemos respeito.”
Isabella Nunes, aprendiz
“Não deveria existir o Dia da Consciência Negra apenas para lembrar-se do que os negros sofreram, do que sofrem, do preconceito. Para mim, é mais um feriado e não há o respeito que deveria pela data. O negro tem o mesmo lugar no mundo que o branco e não seria necessário lembrar-se de que somos todos iguais. Sempre houve piadinha com os negros, mas o assunto era ignorado. Não adianta apenas colocar punições, tem é que mudar a educação, ensinar sobre igualdade desde criança. Não separar, mas juntar, permitir que as pessoas estejam juntas, se amem. Enfim, aceitem que somos todos iguais.”
Fátima Garcia de Azevedo, educadora
“Nossa luta por políticas públicas e sociais que garantam dignidade e visibilidade para nosso povo é diária árdua e necessária, já que a falsa superioridade criada e exercida pelo branco nos tirou e quer continuar tirando, a cada dia, a nossa identidade, a qual precisamos buscar em nossa ancestralidade majestosa para vivermos conscientes da nossa sede combativa.”
Juliana Amorim, atriz e professora

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