A MULHER, O MARIDO DA MULHER E O PORCO DO MARIDO.

Casados há mais de oito anos, a mulher sofria muito por não ter dado ainda um rebento ao querido e amado marido. Tentara todos os métodos possíveis e inimagináveis, em vão.
Parentes e amigos aconselharam a adotar uma criança dizendo que além de ser um gesto nobre era a maneira mais humana de salvar uma vida e dar um lar de verdade a um ser abandonado. Ela já se convencera que de fato seria a única maneira de preservar o casamento que há muito estava monótono e desgastado.
A mulher fizera exames e constatara que o problema de engravidar não estava nela, uma vez que ainda era jovem e tinha fertilidade para gerar quantos pimpolhos desejasse conceber.
Machista ao extremo, o marido por sua vez não admitia que fosse el o problema e que nunca se submeteria a um exame para provar sua virilidade. Quando o assunto entrava na pauta das discussões e a esposa propunha a adoção, o tigrão logo vinha com justificativas das mais cabeludas.
— Não faço exame coisa nenhuma. Você que é ruim de fecundar.
— Tem tanta gente que faz exames e não morre por causa disso.
— Basta, nem animal eu quero em minha casa.
— Meu querido, vamos adotar um bebê. — insiste a mulher.
— Uma criança adotada será sempre um estranho em minha casa. Sabe-se lá como o pestinha foi gerado.
— Mas meu amor, com o tempo a gente pega amor e o tratará como nosso filho.
— Prefiro adotar um animal, um bicho qualquer, um porco, mas filho de outros jamais.
— A Dulcinéia adotou, a Mirtes adotou. Seu primo adotou um lindo casal de gêmeos e está feliz com as duas crianças.
— Mulher, eu já disse que não. É não. Não se discute.
Incansável, a pobre coitada não dava trégua. Insistiu tanto, mas tanto que o marido perdeu a razão e a encheu de pancadas. Esta foi a primeira vez que o homem chegara as vias de fato. Daí em diante era só ameaçar a conversa de adoção, lá vinha sopapos e a mesma justificativa.
— Prefiro adotar um animal, um bicho qualquer, um porco, mas filho de outros jamais.
Já não conseguia discernir se estava triste por não ter filhos ou por ser agredida sem razão. Acostumara com a situação e já não questionava mais o marido.
Passado algum tempo volta ao assunto e o marido como de costume se limita a responder:
— Prefiro adotar um animal, um bicho qualquer, um porco, mas filho de outros jamais. Quem sabe um bacorinho.
— Então tá, vamos adotar um.
— Está bem, amanhã mesmo eu trago o filhote.
A mulher não o levou a sério. Para surpresa, no dia seguinte o homem aparece em casa com um leitãozinho.
— Não querias um bebê? Aqui tens o que sempre pediu. É a cara da mãe.
Estupefata, aos gritos ela responde: — Deixe de desaforos, onde pensa que vai chegar? Então achas que vou aceitar tamanho desatino?
— Trouxe até enxoval e fraldas para o seu pimpolho. Pegue-os. É ou não é a cara da mãe?
— É um animal sujo e magricela, isso sim.
— Quando a conheci também era suja e magricela. Agora está aí feita uma porca na engorda. É só cuidar bem do seu filhote que até o natal dará um belo leitão à pururuca.
Tomada por uma ira incontrolável, a mulher apanha uma faca e desfere um violento e fatal golpe em cheio no coração do marido. Este vai ao chão estrebuchando tal qual um animal no abate.

Samuel De Leonardo (Tute)
samuel.leo@hotmail.com.br e Facebook @samueldeleonardo

Acesso Rápido

Dia do Meio Ambiente: cidade de São Paulo tem 945 pontos para descarte gratuito de eletrônicos

Moradores de São Paulo contam com 945 Pontos de Entrega Voluntária (PEVs) para descartar corretamente …

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *