Depois do Alzheimer, a Doença de Parkinson é o mal degenerativo mais comum do mundo. Para tratá-lo, a Prefeitura conta com 35 Centros Especializados em Reabilitação (CERs), que podem ser encontrados em todas as regiões da capital. Em 2025 estes equipamentos atenderam 352.199 pessoas em geral, com um total de 1.667.021 procedimentos.
O Parkinson é uma condição neurodegenerativa crônica e progressiva, que resulta da perda de neurônios produtores de dopamina (neurotransmissor conhecido como “hormônio do prazer”, que atua no cérebro promovendo motivação, recompensa, foco e controle de movimentos). É mais comum após os 60 anos, embora possa surgir antes, e afeta o sistema nervoso, causando tremores de repouso, rigidez muscular, lentidão de movimentos (bradicinesia) e desequilíbrio.
Na capital, para fazer o tratamento, os pacientes são encaminhados pelas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e por serviços de especialidades médicas para os CERs. No equipamento de Cidade Ademar, na Zona Sul, de acordo com a gerente Vanessa Nakamura, a equipe decidiu criar um grupo de reabilitação, no qual são realizadas atividades diferentes a cada semana, que também podem ser reproduzidas no ambiente domiciliar.
Os encontros são semanais são de 1h30 e duração de seis meses. Os pacientes contam com o auxílio de uma equipe multiprofissional: a fisioterapeuta propõe exercícios motores; a fonoaudióloga realiza práticas para melhorar a fala; a psicóloga trabalha com questões cognitivas; e a neurologista aborda os sintomas e a evolução da doença.
Segundo Vanessa, o conceito é que o grupo seja heterogêneo, reunindo pessoas com diferentes idades e estágios da doença. “Muitas vezes, o paciente sente-se constrangido em razão das limitações motoras e das alterações na fala, o que pode impactar sua autoestima e interação social”.
Nesse contexto, o grupo de reabilitação torna-se um espaço acolhedor, onde os participantes, além das atividades terapêuticas, encontram outras pessoas que vivenciam desafios semelhantes, podendo compartilhar vivências relacionadas à reabilitação, ao uso da medicação e aos cuidados no ambiente domiciliar, fortalecendo vínculos, promovendo apoio mútuo e contribuindo para uma melhor qualidade de vida.
Impactos físicos – Maria Aparecida Martins Nepomuceno, de 66 anos, frequenta a unidade da Zona Sul todas as quintas-feiras e confessa estar sentindo uma evolução.
“Agora tenho estímulo para fazer exercícios, sair, passear e interagir com outras pessoas, porque antes eu ficava muito tempo em casa. Melhorou minha autoestima”, afirma a aposentada.
Por ser evolutivo, o Parkinson pode dificultar o diagnóstico, que é clínico e baseado nos sintomas, histórico e avaliação neurológica. “É uma doença que não tem cura e não é possível impedir a sua progressão, mas a reabilitação física e medicamentos ajudam o paciente a ter uma vida funcional”, destaca a neurologista Natasha Bessa.
Impactos emocionais – O apoio psicológico em grupos terapêuticos é essencial no tratamento, ao favorecer o acolhimento emocional e o fortalecimento de vínculos. “Muitos pacientes chegam desanimados, pois antes eram ativos e, com a progressão dos sintomas, passam a enfrentar limitações”, explica a psicóloga Franciele Amorim.
Segundo ela, o trabalho busca promover a ressignificação do sujeito e a adaptação às atividades do dia a dia, respeitando limites individuais. “No grupo há troca de experiências, incentivo mútuo e identificação entre os participantes. Isso contribui para que se sintam mais motivados e acolhidos, entendendo que não estão sozinhos”, enfatiza.
No caso de Maria Aparecida, ela continua administrando as atividades de sua casa. “Antes eu saía para dançar toda semana. Agora é mais difícil pela falta do equilíbrio. Mas, de vez em quando, em uma festinha ou churrasco da família, ainda me atrevo. É uma dança diferente”, brinca.
Já Gregório da Costa Chaves, 68, destaca a importância da saúde mental para lidar com a doença. Ele, que está aposentado, mas ainda trabalha como engenheiro eletrônico e escritor, participou do primeiro grupo de reabilitação há dois anos. “O estado mental é muito importante para enfrentar os desafios do Parkinson”, explica.
Fonte: capital.sp.gov.br
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