Informe:
A Sociedade Amigos do Bairro City Boaçava (SAB), associação de moradores ativa desde 1974, acionou a Promotoria de Meio Ambiente contra a Reserva Novos Parques Urbanos, concessionária que administra os parques Villa Lobos e Cândido Portinari desde 2022. A entidade pediu a abertura de inquérito civil e, em junho, uma audiência com a promotoria.
Em doze meses, o número de eventos saltou 77%, de 31 para 55, segundo dados da própria concessionária. O dado mais barulhento vem de um laudo acústico independente, elaborado por laboratório com certificação INMETRO, que aponta que o ruído já passa do limite legal da zona residencial até em dias sem nenhum evento. No meio do caminho, festival gastronômico com 77 mil pessoas, Oktoberfest com 100 mil e Villa de Natal com 120 mil, até meia noite, que, somados às demais áreas pavimentadas dos parques, parecem ultrapassar o limite da lei de zoneamento para áreas classificadas como ZEPAM, onde 90% do solo deveria seguir permeável.
Na avaliação da entidade, a sequência de eventos também mudou a experiência de quem frequenta ou vive no entorno dos parques. A presença recorrente de tapumes, instalações temporárias e estruturas permanentes interfere na paisagem, limita áreas de circulação e reduz justamente o caráter de respiro que esses espaços deveriam preservar em uma região já pressionada por concreto, trânsito e ruído. Também entram nessa conta os possíveis prejuízos à fauna local, provocados pelo excesso de barulho e pela ocupação desordenada das áreas verdes.
A SAB diz que não quer fechar o parque nem proibir eventos. Quer limite. “Ninguém aqui é contra o parque ou contra a cultura. Somos contra transformar uma zona de proteção ambiental numa arena comercial, com barulho e ocupação constante, que não deixa os pássaros em paz nem a vizinhança dormir. O que pedimos é limite, critério técnico e respeito à função ambiental do parque”, destaca Silvia Maria Setti Padin, presidente da associação.
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