COMPANHEIRAS SILENCIOSAS

A inspiração chega lentamente, como uma brisa. Acomoda-se suavemente em meus pensamentos e eu a acolho bem. Para que não escape, embalo-a em meus braços e deixo que repouse a cabeça em meus ombros. Surge, invariavelmente, no silêncio da madrugada; acorda-me e sussurra palavras sublimes ao meu ouvido. Mas, assim como chegou, evola-se subitamente. Deixa comigo, de repente, outra companheira: a Insônia, um verdadeiro desaforo.
Para me libertar da invasora, resgato cada uma das palavras preferidas pela amiga Inspiração. Acomodo-as, cuidadosamente, no espaço vazio dos sentimentos que habitam meu coração.
Quando a Inspiração não me visita, sinto sua falta. Uma melancolia invade meu peito, tão profunda quanto a dor de perder o primeiro amor. Sem ela, não consigo raciocinar nem escrever; as palavras não rimam, as letras não se encaixam. Quando ela se ausenta, a criação se esvai. Sem ela, as frases não se aproximam, não se aprumam. As letras não se juntam, as ideias perdem a graça, as palavras não se abraçam, os destinos não se cruzam e os personagens jamais se acham.
Meu pensamento vira um turbilhão de ruídos, instigando a mente a registrar temas diversos que me vêm à memória. Faço versos folheados em rimas. Crio prosas sobre tudo — tudo que nasce do quase nada. Escrevo o que surge das experiências, o que habita as lembranças. Escrevo sobre o amor e as coisas do coração, ou sobre memórias de quando éramos crianças. Escrevo sobre tudo: da paixão à desilusão, dos sonhos à esperança.
Escrevo por escrever. Escrevo para que alguém, um dia, venha a ler.

Samuel De Leonardo (Tute)
samuel.leo@hotmail.com.br e Facebook @samueldeleonardo

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