A dislexia é uma condição relacionada ao desenvolvimento do cérebro que torna a leitura mais difícil do que o esperado, mesmo para crianças que têm inteligência normal, motivação e uma boa escolaridade. Na prática, ela causa dificuldades na hora de reconhecer palavras rapidamente, soletrar corretamente e entender o que se está lendo, o que pode ser frustrante, tanto para os pequenos quanto para os adultos.
Por que isso acontece? De acordo com a otorrinolaringologista e foniatra Sulene Pirana, vice-presidente do Núcleo de Estudos de Desenvolvimento e Aprendizagem da Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP), a dislexia tem uma origem neurológica, ou seja, ela está relacionada a diferenças na estrutura e funcionamento de algumas áreas do cérebro que lidam com a linguagem escrita. “Além disso, ela costuma ser herdada, com uma chance de até 70% de passar de geração em geração”, informa, ressaltando que os estudos mostram que a dislexia afeta cerca de 5% a 10% das crianças em idade escolar, podendo chegar a 17,5%, dependendo do grupo estudado.
Segundo a médica, o impacto da dislexia vai além da escola. “Crianças e adultos com esse transtorno podem ter mais dificuldades na autoestima, sofrer de ansiedade ou até depressão, e encontrar dificuldades para manter boas relações com colegas, amigos e familiares”, diz, pontuando que quando o diagnóstico e o início do apoio chegam tarde, essas dificuldades podem se ampliar, levando a desigualdades na educação, problemas emocionais e maior estresse na família. “Por isso, conhecer e identificar a dislexia o mais precocemente possível é fundamental. Quanto mais cedo ela for reconhecida, maiores as chances de se oferecer o suporte adequado”, completa.
Ela destaca que o tratamento da dislexia é baseado em métodos educacionais desenvolvidos especialmente para cada pessoa. “Essas intervenções focam na conscientização fonológica, no entendimento do princípio alfabético, na prática da fonética, na decodificação, na leitura fluente, no fortalecimento do vocabulário e na compreensão do texto”, afirma a foniatra, salientando que esse trabalho deve ser feito por profissionais treinados, como educadores, psicólogos, fonoaudiólogos e médicos. “Vale destacar que, atualmente, não há evidências de que medicamentos ou terapias alternativas sejam eficazes para tratar a dislexia”, conclui Sulene.
Fonte: veritecomunicacao.com.br
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