Ah, sinto muita saudade,
uma saudade saborosa,
dos tempos da tenra idade,
quando a vida era mais gostosa.
Saudosista, sem problemas,
da vendinha perto de casa,
das deliciosas guloseimas,
que na vitrine cada uma se mostrava.
Doce de abóbora e paçoquinha,
maria-mole e cocada;
era a felicidade que a gente tinha,
devorada pela molecada.
A bala, objeto de desejo,
toda faceira no baleiro se exibia;
naquele distante lugarejo,
era a felicidade, e eu sequer sabia.
Em frente à escola, o carrinho,
uma festa no recreio;
pipoca doce e dadinho,
devorava tudo, sem receio.
Delícias expostas no tabuleiro,
convite de dar água na boca;
não precisava de muito dinheiro,
devorar uma só era coisa pouca.
Que alegria o tio da machadinha,
com um doce todo colorido;
passava sempre à tardinha,
tornava o dia mais divertido.
Quebra-queixo também tinha,
açúcar queimado sobre o coco;
bastava uma moedinha,
para tudo devorar, coisa de louco.
Sem dinheiro, dava um jeito,
recorria à caderneta.
O estrago estava feito,
era só usar a caneta.
Como doce era a vida,
a vida era bem mais doce,
saborosa e muito divertida,
mesmo que assim não fosse.
Tudo ainda me apetece,
em uma pura lembrança;
lembrança que não me entristece,
sou feliz por ter sido criança.
Samuel De Leonardo (Tute)
samuel.leo@hotmail.com.br e Facebook @samueldeleonardo
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