LIGAÇÕES PERIGOSAS

Final de tarde,
sigo sem destino
pelas ruas da cidade.
As calçadas, um deserto;
ao meu lado, a solidão.
Confesso:
desejei tê-la por perto.
Carecia falar com alguém,
gente de verdade.
O meu celular,
descarregado,
já não funcionava,
desligado.
À frente,
vejo um antigo objeto,
então dispara o meu
coração:
algo de positivo no trajeto.
Sob ele, um telefone
que um dia
recebera o nome
de popular orelhão.
Toco o aparelho,
enlouquecido,
com os dedos giro o disco.
O seu número não
fora esquecido,
ligaria para você,
valia o risco.
A noite toda
tentei te ligar,
você não atendeu
uma vez sequer.
Percebi que a linha
para mim sempre
esteve ocupada.
Quando a ficha caiu,
já era madrugada.

Samuel De Leonardo (Tute)
samuel.leo@hotmail.com.br e Facebook @samueldeleonardo

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