Pioneirismo em biópsia de próstata que reduz risco de infecções

O Hospital Municipal Gilson de Cássia Marques de Carvalho (Vila Santa Catarina), da Prefeitura de São Paulo e administrado pelo Einstein Hospital Israelita, é a primeira unidade de saúde pública do país a adotar a biópsia de próstata via transperineal como principal técnica para o procedimento. Mais segura e precisa, a abordagem reduz significativamente o risco de infecções graves.
Indicada para pacientes com suspeita de câncer de próstata, a biópsia transperineal substitui gradualmente a via transretal convencional, método no qual a agulha utilizada para coletar fragmentos de tecido para análise atravessa o reto, região naturalmente colonizada por bactérias. Já o novo exame permite que a coleta seja feita pelo períneo, localizado entre o escroto e o ânus, sem contato com a região retal.
A principal vantagem está na segurança. Enquanto a técnica tradicional está associada ao risco de infecções que podem evoluir para quadros graves e demandar internação hospitalar, a abordagem transperineal reduz drasticamente a possibilidade de contaminação e de infecções da corrente sanguínea. O método também reduz o risco de sangramentos relacionados ao acesso pela região retal e proporciona maior precisão diagnóstica porque o acesso pelo períneo permite alcançar áreas da próstata mais difíceis de atingir pela via convencional, possibilitando uma coleta mais abrangente de amostras para análise.
“A biópsia de próstata por via transperineal é comprovadamente mais segura, justamente por não haver contato com as fezes, o que reduz o risco de infecções em comparação com a técnica tradicional. A oferta desse procedimento pela rede pública reforça o compromisso da SMS em ampliar e qualificar a assistência, promovendo a melhoria contínua do atendimento aos usuários da cidade de São Paulo”, afirma José Carlos Ingrund, secretário executivo adjunto da Secretaria Executiva de Atenção Hospitalar.
Os benefícios também se refletem na gestão hospitalar. Ao reduzir complicações que podem resultar em internações prolongadas e até necessidade de leitos de terapia intensiva, a metodologia contribui para otimizar a estrutura assistencial e o uso dos recursos públicos.
“O impacto não é apenas clínico. Ao evitar complicações infecciosas que exigem internação e tratamentos mais complexos, o exame aumenta a segurança do paciente e contribui para uma utilização mais eficiente dos recursos hospitalares”, afirma André Dubinco, coordenador médico da Radiologia Intervencionista do hospital.
Realizado com sedação e anestesia local, o procedimento dura cerca de 30 minutos e envolve uma equipe multidisciplinar que inclui médicos radiologistas intervencionistas, anestesiologista e profissionais de enfermagem. Após a biópsia, o paciente permanece em observação por, em média, uma ou duas horas e, na maioria dos casos, pode retomar suas atividades habituais já no dia seguinte.
Inclusão do procedimento no Hospital Vila Santa Catarin: o hospital promove a substituição da técnica convencional de forma gradual, com capacitações e suporte do Einstein. Atualmente, a unidade realiza entre 100 e 120 biópsias de próstata por mês, das quais aproximadamente 80% já utilizam a abordagem transperineal. A expectativa é concluir a conversão integral para o novo método até o início de 2027.
Os 20% dos procedimentos restantes permanecem, temporariamente, sendo feitos de forma convencional exclusivamente como parte da formação médica. Como campo de treinamento de residentes, o hospital mantém a experiência nos diferentes métodos atualmente utilizados no país, preparando profissionais que futuramente poderão atuar em regiões onde a abordagem transperineal ainda não está disponível.
De acordo com Dubinco, a incorporação do exame à rotina assistencial de um hospital público representa um avanço importante na democratização do acesso à medicina de ponta. “Estamos falando de uma mudança que aumenta a segurança do paciente, reduz o risco de complicações potencialmente graves e ainda ajuda a preservar recursos assistenciais. É um avanço que beneficia tanto os pacientes quanto a gestão da rede pública de saúde”, conclui.

Fonte: capital.sp.gov.br

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