“Plantirão” Guarani: + 2,5 mil árvores no Pico do Jaraguá

Ação coletiva marca mais uma etapa da Agrofloresta na Tekoa Pindó Mirim, fortalecendo o cinturão verde Guarani e fortalecer a regeneração da terra.
No ultimo final de semna, dias 8 e 9 de novembro, a Terra Indígena Jaraguá (TI), na zona noroeste de São Paulo, aconteceu mais um mutirão da Agrofloresta Guarani M’bya na Tekoa Pindó Mirim, uma iniciativa conduzida pela comunidade Guarani Mbya, sob liderança Neusa Para Poty, o agricultor e conselheiro José de Quadro Wera, e o auxiliar comunitário Daniel Werá. O encontro marcou a continuidade do sistema agroflorestal (SAF) que une reflorestamento, segurança alimentar e regeneração do solo, articulando saberes tradicionais e científicos.
O que é o mutirão? “Mutirão é quando a gente se junta para fazer algo em benefício de todos”, explica Daniel Werá. “É a permanência de uma cultura, a união de famílias e vizinhos para cuidar da terra e garantir o bem-viver.”
O evento foi um “plantirão”, ou seja, um mutirão de plantio, que pretende colocar na terra mais de 2,5 mil mudas de árvores, somando adubo verde e diversas sementes de alimentos durante um fim de semana. Somadas às ações anteriores, a comunidade já ultrapassa 3 mil árvores plantadas em dois anos e meio, em uma área total de cerca de 2 a 3 hectares.
O sistema agroflorestal prevê arranjos de espécies frutíferas, medicinais e nativas, com destaque para erva-mate, banana, pitanga, grumixama, araçá, amora, cambuci, mamão, palmito pupunha e jussara, além de leguminosas como feijão-guandu, feijão-de-porco, crotalária e girassol, que ajudam na adubação verde e regeneração do solo.
Benefícios e impacto: atualmente, a Tekoa Pindó Mirim reúne cerca de 45 moradores, distribuídos em dezessete famílias. A iniciativa também fortalece o Cinturão Verde Guarani, projeto de lei em tramitação que busca interligar as áreas verdes do Jaraguá e restaurar corredores ecológicos interrompidos por rodovias, o que permitirá o trânsito seguro de animais silvestres.
Estrutura e parceiros
O terreno de 8 mil m² recebeu cinco toneladas de composto orgânico, calcário, fosfato natural, biofertilizantes e sementes de adubação verde. O preparo do solo será feito com o apoio de um tratorito cedido pela UFSCar e curvas de nível projetadas em parceria com o programa Sampa+Rural, que ajuda a controlar a erosão e aumentar a infiltração de água no solo.
A articulação da rede é liderada pelo Impact Coalition Institute, sob orientação da Tekoa Pindó Mirim, potencializando parcerias com a Secretaria do Verde e Meio Ambiente, CAE Zona Norte, Sampa+Rural, Motyrõ, Reservas Votorantim, Limpa Brasil, Lindoya Verão e voluntários da sociedade civil, entre eles representantes do CADES Pirituba.
As mudas vêm da Reservas Votorantim, UFSCar, Prefeitura de São Paulo, e Lindoya Verão e o projeto conta com financiamento da Scatec Brasil Renováveis e do Mincon Group.
Um chamado à ação: o mutirão segue o calendário espiritual Guarani, respeitando os tempos da natureza e da cultura Mbya. Para os organizadores, o evento é mais do que um plantio: é um ato de reconexão com a floresta e de reparação ecológica. “Todo mundo tem uma dívida com a natureza. Cada um deveria plantar pelo menos uma árvore na vida”, resume Daniel Wera. “Nós, Guarani, seguimos mostrando que as soluções estão aqui; é só escutar a terra.”
A aldeia Tekoá Pindó Mirim faz parte da Terra Indígena Jaraguá, homologada e declarada pela portaria do Ministério de Estado e da Justiça e Segurança Pública 793/2024. Com 1,7 mil hectares, é uma dos menores territórios indígenas reconhecidos pelo Estado brasileiro. Atualmente, a TI é composta por seis aldeias, espalhadas pelo Parque Estadual do Jaraguá. Cercada pelas Rodovia dos Bandeirantes e pelo Rodoanel, a área sofre forte pressão urbana.
Aldeia indígena Tekoa Pindo Mirim
Via Marginal Rodoanel Mário Covas, s/n° – Km 6 interna – Vila Jaraguá

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