Reassentamento às mais de 850 famílias da Favela do Moinho

O reassentamento das famílias que viviam na Favela do Moinho, na região central de São Paulo, chegou ao fim no dia 14 de setembro, com o atendimento total às 851 famílias cadastradas. Dessas, 645 já estão morando em imóveis definitivos. Iniciada em abril de 2025, a ação foi conduzida pela Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação (SDUH), por meio da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU), com atendimento individualizado e alternativas habitacionais definidas de acordo com o perfil e a escolha de cada família.
Para o secretário de Desenvolvimento Urbano e Habitação, Marcelo Branco, a conclusão do processo representa uma transformação que vai além do território. “A importância é muito grande. Era a última grande favela do centro da cidade de São Paulo, onde as pessoas viviam em uma condição de extrema precariedade. A gente teve a oportunidade de levar essas famílias, cada uma delas, para uma unidade habitacional adequada e fazer com que retomassem suas vidas de uma forma digna e estruturada”, afirma.
Atendimento individualizado: um dos principais diferenciais da ação foi a opção por ouvir cada família antes de definir a solução habitacional. O processo de reassentamento foi baseado em uma escuta ativa, mapeamento detalhado dos moradores e na garantia de escolha aos beneficiados. Em vez de oferecer uma única alternativa, a CDHU apresentou diferentes possibilidades para que os moradores pudessem escolher onde e como gostariam de seguir suas vidas. “Mais do que mostrar para elas uma solução única para suas vidas, nós optamos por que cada uma dissesse para a CDHU e para a Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação qual era o seu desejo”, explica Marcelo Branco.
Ao longo do processo, foram apresentadas mais de 1,5 mil opções de casas e apartamentos, sendo mil delas na região central, para atender todas aquelas famílias que desejassem continuar morando perto do Moinho. “Algumas foram para a Zona Leste, algumas ficaram no centro da cidade, algumas queriam permanecer no centro da cidade. Tivemos famílias que optaram por ir para o interior e outras que foram para o litoral”, relata o secretário.
As mudanças começaram em 22 de abril de 2025 e avançaram rapidamente. Para viabilizar o atendimento habitacional, a CDHU mapeou imóveis prontos ou em construção disponíveis no mercado. Outra alternativa oferecida foi a livre escolha de imóveis em qualquer município do estado, desde que dentro dos parâmetros do programa, com valor de até R$ 250 mil.
No decorrer da operação, foram realizadas 957 mudanças, considerando famílias, comércios e serviços existentes na área. Desde o início das desocupações realizadas pela Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU), foram concedidas também 72 indenizações, pagas pela Prefeitura, a comerciantes.
Todo o projeto foi construído na base do diálogo. Foram mais de uma dezena de reuniões em grupo para, inicialmente, organizar o cadastramento das famílias. Em seguida, para garantir um ambiente adequado e reservado para esse atendimento, a CDHU instalou um escritório, na Rua Barão de Limeira, fora da comunidade, mas próximo o suficiente para que as famílias pudessem acessar e conversar individualmente com as equipes de atendimento social, receber orientações e definir suas alternativas habitacionais. A estrutura foi especialmente importante diante da realidade vivenciada pelos moradores. O espaço concentrou mais de 3 mil atendimentos antes mesmo do início das remoções e totalizou 10 mil atendimentos somente no primeiro ano da operação, com uma média de 12 atendimentos por família.
Segundo o secretário, muitas famílias tinham receio de manifestar sua vontade de deixar a comunidade ou escolher uma moradia fora da região. “Foi muito importante fazer um escritório exclusivamente para atender essas famílias. Então, tranquilidade no atendimento, um escritório fora da comunidade e a liberdade das pessoas escolherem quais seriam as formas que gostariam de ser atendidas, qual seria o seu destino dali para frente”, destaca.
Os imóveis são gratuitos, de acordo com a parceria firmada entre o Governo de São Paulo e o Ministério das Cidades. Para famílias que optaram por unidades ainda em construção, foram concedidos caução inicial de R$ 2,4 mil e auxílio-moradia mensal de R$ 1,2 mil até a entrega das chaves.
Uma nova etapa para o território: com a conclusão do reassentamento, tem início uma nova etapa para a área ocupada pelo Moinho. O território terá uma nova destinação pública, com a implantação do Parque do Moinho. O projeto prevê a transformação da área em um espaço aberto à população, ampliando a oferta de área verde e de lazer na região central. A nova configuração também estará integrada às intervenções previstas para a mobilidade e o transporte público.
Para a construção do parque, foi realizada a licitação para o cercamento da área. O processo está em fase final para assinatura de contrato com a empresa vencedora. Em breve, será lançada a licitação para contratação de empresa para desenvolvimento de projeto e implantação do parque.

Fonte: cdhu.sp.gov.br

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