JOÃO BARBEIRO

Eu era ainda um menino
um menino ainda, um pirralho
e o velho João já estava grisalho

Cortava os cabelos
na barbearia do velho João
a barba não
porque não tinha não

Fiquei adolescente
me olhava no espelho
cortava os cabelos com o velho João
a barba não, só tinha minúsculos pentelhos

Adulto, no dia do meu casamento
o velho João deu um trato no cabelo
foi um acontecimento

Vieram os filhos
para não perder a tradição
os cortes eram lá, com o velho João
Agora estou aposentado
os poucos fios que restam.
quem os aparam é o velho João
Poxa, como ficou velho o velho João.

Nota do autor:
É fato, o João era um antigo barbeiro do bairro onde eu morei nos primeiros 28 anos da minha vida na Capital Paulista.
Eu o conheci ainda criança e sei que o seu salão já estava por lá há anos.
Mesmo após o meu casamento, minha mudança para São Bernardo, com os meus filhos pequenos, depois adolescentes, eu frequentava o salão com eles.
João, o Ligeirinho, manteve a sua barbearia por várias décadas.
Já faz alguns anos que ele partiu.
Nem sei por que escrevi este texto. Talvez o meu subconsciente resolveu fazer uma pequena homenagem ao João, o Ligeirinho.

Samuel De Leonardo (Tute)
samuel.leo@hotmail.com.br e Facebook @samueldeleonardo

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