OCASO

As marcas no rosto não escondem nada,
o olhar cansado já não enxerga o futuro.
Tudo não é para sempre, um dia se acaba,
o passado mais distante vai ficando escuro.

O corpo desgastado pela andança,
já não se ouve mais aquela canção.
As pernas não acompanham a dança,
lembranças estão gravadas no coração.

Cada marca no rosto revela a verdade:
muitos partiram, ficou apenas a solidão.
A única companheira agora é a saudade,
ainda te quero, viver por ti é a razão.

Então apelo, chamo pelo teu nome,
grito, mas a minha voz ninguém escuta.
Tua ausência me aflige, me consome,
a mente quer, mas o corpo foge à luta.

É como o declínio de um astro,
tal qual o Sol se escondendo no horizonte,
transformando a luz num tênue rastro:
a própria fusão do hoje com o ontem.

Samuel De Leonardo (Tute)
samuel.leo@hotmail.com.br e Facebook @samueldeleonardo

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