Após a conclusão da restauração de seu hall, o Edifício Matarazzo volta a integrar a grade de atrações do programa Vai de Roteiro, uma iniciativa da Prefeitura que oferece passeios guiados gratuitos por diversos pontos da cidade. O objetivo é promover o turismo local, mostrando a riqueza cultural, histórica e arquitetônica de São Paulo, tanto para moradores quanto para visitantes. Foram investidos R$ 93 mil na avaliação das manutenções necessárias no local e R$ 3,1 milhões na execução das obras, que duraram pouco mais de seis meses.
As visitas do Vai de Roteiro são realizadas aos sábados e domingos, às 14h30 e 16h30, e contam com guias de turismo credenciados. Além do saguão do Edifício Matarazzo, o jardim da cobertura do imóvel também pode ser visitado por grupos de até 20 pessoas por horário. Não é necessário fazer agendamento antecipado ou inscrição prévia, pois a inscrição é feita no local. Para participar, basta chegar com, no máximo, 1 hora de antecedência e, no mínimo, 15 minutos. É preciso apresentar documento original e oficial com foto, incluindo as crianças (para crianças até 5 anos incompletos também é aceita certidão de nascimento).
A revitalização do saguão da sede da Prefeitura foi realizada ao longo de seis meses por uma equipe especializada, composta por dez profissionais das áreas de conservação, restauro e manutenção. O trabalho incluiu a fixação das placas de mármore travertino, bem como a recuperação de esquadrias de madeira e metálicas do Edifício Matarazzo — construído entre 1937 e 1939 —, assegurando a preservação de suas características originais e a valorização do patrimônio público.
Segundo a secretária municipal de Urbanismo e Licenciamento (SMUL), Elizabete França, a preservação de prédios históricos no centro tem caráter estratégico. “Impulsiona a economia local, atrai moradores, gera empregos e resgata o valor cultural da cidade. O Edifício Matarazzo é um marco no coração de São Paulo. Restaurar esse espaço é abrir as portas da história para a população e manter viva a relação entre o passado e o presente, o poder público e a cidade”, afirma.
A necessidade da obra foi identificada em inspeções de rotina, que apontaram o desgaste natural do tempo e recomendaram a recuperação integral do prédio — a primeira desde sua inauguração. Após processo licitatório, o Estúdio Sarasa, especializado em patrimônio histórico, foi selecionado para executar os serviços.
De acordo com o engenheiro civil e de produção Artur Queiroz, coordenador de operações da empresa, o estudo técnico permitiu mapear as áreas que precisavam de reforço. Ele explica que fatores como o adensamento urbano, a circulação intensa no centro, a operação do Metrô e a realização de grandes eventos no Vale do Anhangabaú compõem um cenário distinto daquele da década de 1930, quando a região era marcada pelo trânsito de veículos mais leves, como bondes e charretes. “Com o passar das décadas, essas transformações urbanas geram movimentações naturais nas estruturas, o que reforça a importância de conservar o edifício com o devido cuidado”, conclui.
Todas as etapas da obra foram descritas em um banner, instalado na entrada do saguão, para que visitantes e funcionários pudessem ter conhecimento do que estava sendo realizado.
Sustentabilidade – Jardim e lago com carpas: além da arquitetura, os prédios centenários do Centro têm seus destaques. No caso do Edifício Matarazzo, que completa 86 anos neste 2025, é seu jardim, na cobertura do prédio. Batizado de Walter Galera, zelador que deu início ao cultivo da vegetação, o jardim tem um lago com carpas e 400 espécies de plantas, além de visão panorâmica para o Theatro Municipal, o Farol Santander e o Edifício Martinelli.
O imóvel da Prefeitura foi sede das Indústrias Reunidas Fábricas Matarazzo (IRFM), endereço do Grand Hotel de La Rotisserie Sportsman e do jornal Diário da Noite, do empresário de comunicação, político e diplomata brasileiro Assis Chateaubriand. Em 1972 foi vendido para o Grupo Audi. E dois anos mais tarde, quando comprado pelo Banco do Estado de São Paulo (Banespa), ficou conhecido como “Banespinha”.
Em 2004, com a privatização do Banespa, o Edifício Matarazzo, tombado pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo (Conpresp) em 1992. foi cedido à gestão municipal como parte da negociação de dívidas. Anteriormente, a Prefeitura havia ocupado um imóvel na região central, no bairro do Ibirapuera, na Zona Sul, e também no Parque Dom Pedro II.
Detalhes – Acima das portas de acesso ao edifício há cinco painéis esculpidos com os ramos dos negócios dos Matarazzo: tecelagem, metalurgia, agricultura, química e comércio. Os dois pilares que ficam no saguão da entrada principal, revestidos também de mármore travertino, trazem relevos de cenas ligadas a diferentes formas de trabalho. Seu autor é o escultor italiano Galileo Emendabili, o mesmo do Mausoléu ao Soldado Constitucionalista de 1932. Nas laterais há os brasões da família Matarazzo e, acima dos elevadores, um mosaico feito pelo artista italiano Giulio Rosso, que faz alusão ao Brasil e suas características. Assim como alguns outros imóveis construídos na mesma época, o Edifício Matarazzo não tem o 13º andar. Por superstição, após o 12º há o 14º andar.
Fonte: capital.sp.gov.br
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