PUXA-SACO

Quem nunca se deparou com um puxa-saco profissional não sabe do que é capaz uma pessoa desse tipo. Ele incomoda a todos ao seu redor, prejudicando aqueles que só querem cumprir suas obrigações regularmente.
O bajulador – bajulador mesmo, profissional – só tem mãos para puxar o saco daquele que lhe for conveniente. Tudo em nome dos seus interesses. Ele marca presença em todos os espaços, desde que consiga vantagens. Na família, pode ser aquele seu concunhado; na empresa, o colega ao seu lado; na comunidade, o vizinho do condomínio.
Há quem goste de ser lisonjeado e há quem não goste. Ele sabe, sutilmente, a quem tocar o badalo e age de forma a não se revelar. Invariavelmente, além de traiçoeiro, o puxa-saco é um grande fofoqueiro.
Todavia, aos olhos do mais atento, ele não engana. Basta notar o comportamento do indivíduo, que não fica somente nos salamaleques. Os puxa-sacos extrapolam os limites, bem como nas considerações ácidas a parentes, colegas ou vizinhos.
— Pronto, sogrinha!
— Apanhei esta flor para a senhora.
— Só vou contar para a senhora.
— É só pedir, chefinho.
— Trouxe um cafezinho para o senhor.
— O senhor precisa saber sobre fulano.
— Senhor síndico, deixa que eu faço.
— Vou relatar tudo ao síndico.
— O síndico precisa saber.
Podemos classificá-los em algumas categorias:
O “docinho”: o cara que faz de tudo para atrair a atenção da sogra, do chefe ou do síndico. Não respeita nem quem tem aversão ao açúcar;
O “xerox”: é a cópia quase perfeita do adulado em sua fala e comportamento, carecendo apenas do selo de autenticação;
O “sempre ocupado”: não tem tempo para ajudar ninguém, exceto ao seu bajulado;
O “sabichão”: este se comporta como uma enciclopédia, o Google da ocasião, ignorando a capacidade dos demais;
O “caixa-preta”: alguns o consideram como o “fodão das galáxias”, o expert na sua área. Porém, é inseguro e egoísta. Não compartilha informações com ninguém, mas se exibe diante de seus adulados, sem pudor em humilhar os presentes.
E, por estar discorrendo sobre lambe-botas, sabujo, lisonjeador, contam que um sujeito era descaradamente puxa-saco, mas tão puxa-saco, bota puxa-saco nisso, mal tinha tempo para lavar as mãos. Ninguém, daqueles que sabiam de tal proeza, se atrevia a estender a mão para cumprimentá-lo.
Certo dia, o Senhor que ele bajulava morreu e o sujeito bajulador não teve dúvidas: arrancou o defunto do caixão e pôs-se no lugar do falecido, sem chance para que o tirassem de lá. Assim, sem ter morrido, morreu um puxa-saco.

Samuel De Leonardo (Tute)
samuel.leo@hotmail.com.br e Facebook @samueldeleonardo

Acesso Rápido

Recapeamento na Rua Laurindo de Brito

A Rua Laurindo de Brito, no trecho entre as ruas João Tibiriçá e Brigadeiro Gavião …

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *