Ser o primeiro entre os amigos a partir tem lá suas vantagens, se é que haja vantagem em morrer antes de todos os entes queridos.
Muitos enaltecerão a sua pessoa e dirão como você foi uma cara excepcional, outros enviarão coroas com flores e a clássica faixa: “Saudades dos amigos”. Ainda, no seu velório, burburinhos onde grupinhos comentarão as peripécias contigo compartilhadas. Até lembrarão das piadas sem graça que você, insistentemente, não cansava de contar. Revelações sobre suas paixões virão à tona, mesmo aquelas que você só confidenciou para aquele seu melhor amigo.
Provavelmente, um sacerdote fará uma oração exaltando sua conduta e o ser exemplar que você foi. Alguns dirão que você fará muita falta e que foi um sujeito tão bom e que é insubstituível. Outros dirão que já sentem saudades do amigo que partiu. Amigos carregarão o seu caixão, amigos colocarão flores sobre o seu túmulo.
Por outro lado, sendo o último do grupo de amigos a partir, tem lá suas desvantagens, se é que podemos afirmar que tem lá as suas desvantagens. Ninguém dirá que você foi um grande camarada, ninguém para lembrar fatos, sequer de uma piadinha isossa que você contava. Não terá sequer uma pessoa falando das suas paixões que você um dia confidenciou a alguém.
Aquela faixa dos amigos não estarão estampando o quanto você deixou de saudades. Ninguém para lembrar os bons momentos passados. Não dirão que você fará muita falta, mas logo o substituirão. Por sorte, ou talvez quem sabe, um sacerdote celebrará suas exéquias.
Estranhos carregarão o seu caixão. Estranhos colocarão flores sobre seu túmulo. Estranhos recolherão as plantas secas e as depositarão no lixo.
Rapidamente, o que você fez, o que você deixou, serão esquecidos. Rapidamente tudo será depositado no infinito do passado. Talvez, decorridos os sete dias, sequer encomendarão uma missa para que a sua alma descanse em paz.
Meu caro, vamos nos cuidar bem enquanto vivo estivermos, ninguém parte antes do prazo e, vamos combinar, o último que ficar paga a conta, se tempo houver.
Então, chega de prosa. Vamos mudar de assunto. Não falemos mais sobre isto, afinal, morro de medo de morrer.
Samuel De Leonardo (Tute)
samuel.leo@hotmail.com.br e Facebook @samueldeleonardo
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