SETENTA, ENTÃO

Hoje, ultrapasso a barreira dos 70, finalmente terminam as piadinhas dos “69”, iniciam-se as do “cê tenta”. Constato que superei em muito a idade vivida pelo senhor Benedito, o meu avô materno, que morreu jovem, meses antes do meu nascimento, que estou muito próximo de alcançar os números do inesquecível avô paterno, o vô Luiz. Em contrapartida, ainda que eu deseje, será dificílimo atingir e superar o tempo de permanência neste plano, do senhor Antônio, meu pai, 91 anos.
Interessante o mistério da vida, 7 décadas se passaram num instante, por outro lado, milhões de instantes e fatos eu vivi; muitas pessoas conheci e com tantas convivi; centenas de lugares visitei. Ainda, uma boa quantidade de livros eu li; inúmeras canções ouvi; muitos poemas escrevi; sabores degustei; batalhas ganhei, algumas perdi. Entre perdas e ganhos, o saldo é positivo; até agora eu venci.
Gostaria de saber quantos instantes cabem numa vida e, entre o prólogo e o epílogo, quantos atos são necessários para encenar no palco da existência o nossos enredos, neste teatro da vida, no qual somos todos protagonistas.
Acredito que, cada indivíduo ao nascer, recebe o seu texto da peça, roteiro único, composto de Drama, Comédia, Farsa, Tragédia, Melodrama e, cabe a ele, somente a ele encenar o seu papel
Durante a vida, não estabeleci nenhuma meta referente à idade. Os 70, que hoje alcanço, não é o final de um enredo, desejo viver ainda outras histórias e, este momento, me faz refletir sobre o tudo do todo do que vivi até aqui.
Olhar no retrovisor e agradecer os múltiplos instantes desfrutados e perceber que tudo o que passou, passou muito rápido e que agora os pròximos instantes não têm mais urgências, isto chama-se maturidade.
As dores sofridas estão se curando, feridas sendo cicatrizadas. À esta altura, setentão, constato que o tempo não diminui as expectativas, ele depura a ansiedade.
O meu corpo, é visível, sofreu transformações, o cognitivo ainda funciona e o essencial, o prazer em viver, ainda existe no menino dos primeiros 7 anos quando pintava o 7 com as 7 cores do arco-iris, durante os 7 dias da semana e que hoje comemora 7 décadas vividas com intensidade.
Ainda me sinto um gato, pois, longe de ser supersticioso, acredito que o pulo do gato é acreditar que ainda tenho uma infinidade de instantes nesta vida. E, se 7 vidas eu tiver, nas 7 vidas eu quero da sua amizade desfrutar, multiplicada por setenta vezes sete.

Samuel De Leonardo (Tute)
samuel.leo@hotmail.com.br e Facebook @samueldeleonardo

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